O aplicativo para focar se tornou uma distração
O Forest é um aplicativo que ficou famoso por sua forma divertida de manter o uso longo do smartphone, recompensando o tempo de foco com o cultivo de florestas virtuais e também plantando árvores no mundo real. No começo deste ano, o aplicativo deixou o modelo de pagamento único para um de assinatura, além de adicionar mais opções de compra dentro do aplicativo, junto com mecanismos de gamificação com o objetivo de obter mais interação e receita.
A impressão ao testar é que o aplicativo piorou: parece mal otimizado em relação ao meu último uso. A sincronização está duplicando marcadores, o recurso de limpar plantio não funciona e há problemas com login. Não é uma crítica isolada; basta ver as avaliações na Play Store e os comentários no Reddit.
Na Apple Store, é confirmado que são mais de dois milhões de usuários pagantes. Dos 10 milhões de downloads da Play Store, quantos se tornaram pagantes? Qual o custo de plantar árvores no mundo real e de manter os servidores de sincronização? Difícil saber com os dados públicos disponíveis. Compreendo a necessidade de tornar o aplicativo sustentável, se é que foi essa a real intenção, mas parece que se perdeu o propósito: vou me manter mais focado com mais tempo de tela? Então, o que oferecer em troca da assinatura sem exigir mais tempo de tela? É um grande desafio. O que eu sei é que muitas pessoas ficaram insatisfeitas.
Para os usuários decepcionados, talvez o aplicativo Detox Digital tenha mais utilidade se o objetivo é ficar longe das telas. Se a intenção for um timer minimalista com algumas estatísticas, talvez o GoodTime possa atender. E, se ainda preferir uma experiência gamificada, o Focus Plant pode ser uma alternativa — no cercadinho do Android, claro.